quinta-feira, 13 de maio de 2021

Antes que maio acabe

O menino de cabelo rosa, com sorriso aberto no rosto, saliva escorrendo e olhos atrás das lentes, vê o mundo sempre em sombras, sempre escuro, mas é sempre muito claro. É sempre muito claro em sua mente e ele não precisa ver a luz, a vida é sempre luz. A vida é sempre sim, sempre bom, desde que esteja escuro.

Ele é o melhor do clube. Ele é a vadia favorita. Ele ama o primeiro lugar. Ele sabe conquistá-lo e ele o mereceu. O menino de óculos escuros e orelhas metálicas sabe viver, em algum momento ele aprendeu, e esta lição ele não esquece mais. Apenas viver, viver, viver, viver.

Ele pinta as unhas de preto porque assim ficam lindas. Ele não usa sapatos porque suas unhas dos pés também estão pintadas e ele deve exibi-las... e é mais confortável assim. Ele gosta de meninos e meninas porque quanto mais diversão melhor, e isso faz parte da lição: viver, viver, sentir, sorrir, gozar, viver. 

Ele chupa o pirulito antes do café porque é docinho e gostoso... e chupa o pau depois do pirulito porque é ainda mais gostoso.

Que falem. Que gostem. Que desgostem. Que detestem. Que gozem. Gozem. De mim. Comigo.

O menino de cabelo rosa e coleira no pescoço descobriu o segredo de viver. Esta sensação é indescritível... e por isso lhe faltam boas palavras. Ele não as precisa mais. A coleira é física, mas somente física, em sua cama pode haver amarras mas seu mundo é verdadeiramente... livre.

E ao encontrar sua liberdade de viver com a liberdade de amar... A melhor vadia do clube descobriu, inesperadamente, que a liberdade podia ser ainda mais deliciosa...



quinta-feira, 6 de maio de 2021

06/05/21

Uma amálgama de cadernos iniciados

Cadernos iniciados

Me canso no meio, me canso no começo

Estou sempre cansada pra continuar

Mas nunca pra começar de novo...


Meus cadernos riem de mim, de dentro do armário

de cima da mesa

da cabeceira

da estante

largado no sofá

Todos riem de mim com suas descontinuidades

Confissões

Saudades...


Escrevo a reflexão da vida

E se ainda não escrevi

Não estou vivendo...

Se escrevo sem fim, não tem fim


Invento novos usos

Usos alternativos

Para continuar o que deixei pra trás

E me torno uma amálgama

Bagunçada

Perdida

Sem direção

De caminhos iniciados

E abandonados


Nem transformar o vazio em poesia

Nem isso

Nem isso

Não sei fazer nada disso


domingo, 2 de maio de 2021

Maio

As vozes foram embora, tudo agora é calmo e sereno. Minha mente não me assombra mais, eu não estou tentando me destruir. Eu não quero me sabotar. Eu quero fazer tudo que posso para estar bem.

Eu não sabia que viver podia ser assim. Eu já estava doente há tanto tempo que até esqueci? Eu não preciso dos muros, desses chicotes, das garras e da garganta. Eu estou bem. Eu posso me controlar, sem controlar tudo.

Eu não sinto falta das vozes e elas não sentem falta de mim.